08/11/07 às 22:47Vídeo no Youtube causa polêmica com integrantes da Vai-Vai
Por Gilberto Amendola

São Paulo, 08 (AE) - O publicitário Marcelo Vitorino, morador do bairro do Bexiga, é o autor de um dos vídeos mais polêmicos do YouTube, que estão sendo acessados na internet ultimamente: trata-se do Vai-Vai me Deixar Dormir' Nele, Vitorino denuncia a tradicional escola de samba por desrespeitar a lei do silêncio, vender comida na rua e estacionar carros em locais proibidos. Nenhuma novidade para quem acompanha a velha pendenga carnavalesca, que tem como principais ingredientes o barulho da agremiação, os problemas de sono da vizinhança e, no fogo cruzado, a fiscalização da Prefeitura. Mas o problema não pára por aí. O que está mesmo "pegando" agora é o uso de um tradicional sucesso dos Originais do Samba como trilha sonora. No vídeo de Marcelo Vitorino, o conhecido refrão da música Festa de Bacana ( "Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão...") acompanha imagens de um ensaio da Vai-Vai.

Ofensa e preconceito - Tobias da Vai-Vai, o presidente da escola, considerou a edição do vídeo preconceituosa e ofensiva. "O vídeo se refere a ícones afro-brasileiros (o samba e o Carnaval) como sendo coisa de ladrão. Vamos processar Marcelo Vitorino por racismo", comentou Tobias ao repórter do Jornal da Tarde. "Imagina se ele fizesse a mesma coisa com a comunidade judaica' Tenho certeza de que ele já estaria preso."

O advogado da Vai-Vai, Hédio Silva Junior, conta que já formalizou a denúncia na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). "O vídeo trata todos os freqüentadores da quadra como marginais. O autor do vídeo vai ter de responder por tudo isso", disse o advogado da Vai-Vai.

Vitorino nega qualquer intenção discriminatória. "A música é só ilustrativa. Eu poderia ter usado um funk, qualquer outra música", disse, em sua defesa. "Já fui chamado de nazista e neofascista por um jornal do bairro. Não é nada disso. A única coisa que fiz foi mostrar o sofrimento dos moradores com os ensaios da Escola de Samba Vai-Vai." O vídeo foi gravado em dezembro passado. Vitorino diz que muitos moradores participaram da sua realização. "Só que ninguém quer aparecer. As pessoas têm medo. Eu mesmo já recebi ameaças por telefone. Tive que fazer um boletim de ocorrência para me proteger." `Medição de barulho¿ - Além de Vitorino, a única pessoa que assume uma participação discreta no vídeo é o presidente da Juventude do PSDB de São Paulo, José Rubens Domingues Filho, ex-morador do Bexiga: "A gente fez uma medição de barulho da janela de minha casa", disse Domingues Filho. " Ajudei também com contatos políticos e na subprefeitura. Sem esse apoio, ele correria riscos. O vídeo não tem nada de preconceituoso. Ele mostra uma realidade", garante.

"Em nome da cultura, eles ( a Vai-Vai) descumprem várias leis. A lei do Psiu, a lei que proíbe vender alimentos na rua, a lei que proíbe a interrupção do direito de ir e vir dos moradores. Eu apóio a cultura, mas, como morador do Bexiga, quero ter direito de dormir", argumenta Vitorino.

A Subprefeitura da Sé tem se reunido com dirigentes da escola de Sampa para definir algumas regras. Por enquanto, ficou acertado que os ensaios só podem acontecer aos domingos. Eles devem terminar às 21h - a Vai-Vai teria até as 23h para dispersar os participantes do ensaio. Mas os vizinhos reclamam que a fiscalização faz vista grossa. Diferente do que ocorreu no ano passado, não existe nenhuma tentativa da subprefeitura de tirar a Vai-Vai do Bexiga. "A gente vai continuar no nosso berço", disse Tobias.
Agência Estado
« Voltar





 eFácil
 TV 26" - Samsung
Em 12x de R$ 138.25
 Fnac.com.br
 Celular MG296 - LG
Em 12x de R$ 41.58
 Fnac.com.br
 Notebook - Positivo
Em 12x de R$ 149.92
 eFácil
 Auto Rádio Pionner
Em 12x de R$ 33.25
Busca

Oi: