
15/06/08 às 20:44
Grifes brasileiras buscam profissionalização definitiva do setor
Por Flávia Guerra
São Paulo, 15 (AE) - Que tendências de moda vão e vem com as estações todos já sabem. Que algumas tendências já nascem clássicas e que moda, como diz o clichê, é comportamento, cultura e negócios, também. No Brasil, o setor movimenta cerca de US$ 34,6 bilhões por ano. Na estação passada, há seis meses, os mais `inseridos no contexto¿ fashion, e os menos, foram bombardeados não só pelas tendências outono-inverno mas também pelos anúncios das vendas de marcas de prestígio brasileiras para grandes grupos de administração. A julgar pelo movimento do mercado internacional, a união, ou venda, de grifes a grandes holdings, com capital de fundos de investimentos, é tendência que veio para ficar. Por aqui, e pelos corredores da SP Fashion Week, só se falava na venda da Herchcovitch, da Fause Haten e da Zoomp para a novíssima holding I¿M (Identidade Moda, controlado pelo Fundo HLDC). De olho na profissionalização do setor e na globalização, Nelson Alvaregan se uniu ao grupo In Brands, para quem vendeu a Ellus e a 2nd Floor. Isabella Capetto também vendeu sua marca para a In Brands. Como costuma ocorrer, a estilista continua à frente da criação e o grupo, cuida da administração. "A estratégia não é adquirir 100% das marcas, mas formar parcerias para que cada uma mantenha seu estilo", explicou Alvarenga, conselheiro da Ellus e da In Brands.
Ás vésperas da SPFW 2008/09, a I¿M (que em inglês também significa `eu sou¿) é ironicamente chamada de I was (eu era). Herchcovith briga na Justiça com o grupo para adquirir os direitos sobre suas marcas negociadas na venda (Herchcovitch Jeans e Herchcovitch; Alexandre, masculino e feminino). A Zoomp (da qual Herchcovitch também passaria a ser diretor de criação) , uma das mais tradicionais grifes brasileiras criada por Renato Kherlakian, anunciou na semana passada que pela primeira vez não desfila sua coleção na SPFW. Vai sanar dívidas antes de voltar a produzir um desfile na SPFW. Para completar, circula pelos corredores fashion o boato de que a Fause Haten não está conseguindo dar conta de suas encomendas.
Fashionistas e não-fashionistas se perguntam o que de fato aconteceu com o a holding que era presidida pelo economista Vicente Melo (que trabalhou no Banco Mundial e ingressou na moda como vice-presidente da Fórum). O grupo surgiu com alarde e prometia gerir não só as já citadas mas também a Clube Chocolate, a Zapping e a Cúmplice. Entre os objetivos, estavam a abertura de uma loja Herchcovitch em Nova York (já há uma em Tóquio), a abertura de novas lojas da Zoomp e a aquisição de mais grifes. "Estou feliz. Vou realizar o sonho de internacionalizar minha marca e poder, ao mesmo tempo, me dedicar mais à criação", dizia Alexandre Hercovitch nos bastidores de seus desfiles em janeiro. Hoje, a I¿M não possui porta-voz oficial. Muitos afirmam que o grupo I¿M agiu de má fé. Outros dizem que Melo está fora do País e que Enzo Monzani, um dos investidores da I¿M, não possuía nem mesmo residência fixa no Brasil. Depois da crise, que levou Herchcovitch (um dos mais jovens e bem sucedidos estilistas brasileiros) a quase não conseguir entregar suas encomendas aos clientes, o silêncio impera. Sabe-se que o estilista está em negociação com o In Brands e que diz aos amigos estilistas que aprendeu uma lição. Entre boatos e especulações, fato mesmo é `O caso I¿M¿ prova que a moda brasileira caminha, mas tropeça. Mas a resistência das marcas, o fato de Fause Haten manter seu desfile nesta edição da SPFW provam também que a moda nacional tropeça, mas segue em frente. Casos como este funcionam muito mais para marcar a perda da inocência da moda nacional. "Você tem razão. Houve ingenuidade nossa para perceber como era a formação do grupo. Mas tudo é aprendizado. Foi um belo plano de divulgação. A idéia foi comprada por todos. Mais porque há uma vontade de ver, e de fazer, com que nosso mercado dê certo", responde Amir Slama, presidente da Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e criador da Rosa Chá, quando questionado se a rápida ascensão e queda da I¿M não tenha sido um belo `case¿ da de estratégia de marketing. "Não acho que tenham agido de má fé, mas queriam construir uma marca forte em pouco tempo para depois conseguir levantar a verba necessária com os investidores. E isso não ocorreu", diz Slama, que há dois anos vendeu sua marca, a Rosa Chá, para o grupo Marisol. "Foi a melhor coisa que fiz. Pude crescer, tratar melhor meus funcionários, cuidar mais da logística, da distribuição e me dedicar mais à criação. Este é um momento em que a moda nacional se profissionaliza e precisa de injeção e investimentos em setores mais técnicos", completa o estilista que desfila a Rosa Chá masculina no sábado.
Como presidente da Abest, Slama afirma que o órgão ficará mais atento. "A nossa moda vai bem sim, mas vamos prestar mais atenção e dar mais assessoria aos estilistas. " Paulo Borges, criador e diretor da SPFW, concorda: "Apesar do caso da I¿M, os negócios estão caminhando. Há hoje sete grupos de moda que estão fazendo aquisições. Negócios que dão errado acontecem o tempo todo. A tendência é só lembrar dos sucessos. Estamos aprendendo a fazer. É um processo irreversível e muito positivo. Vai mudar o perfil do negócio de moda no Brasil."
Agência Estado
São Paulo, 15 (AE) - Que tendências de moda vão e vem com as estações todos já sabem. Que algumas tendências já nascem clássicas e que moda, como diz o clichê, é comportamento, cultura e negócios, também. No Brasil, o setor movimenta cerca de US$ 34,6 bilhões por ano. Na estação passada, há seis meses, os mais `inseridos no contexto¿ fashion, e os menos, foram bombardeados não só pelas tendências outono-inverno mas também pelos anúncios das vendas de marcas de prestígio brasileiras para grandes grupos de administração. A julgar pelo movimento do mercado internacional, a união, ou venda, de grifes a grandes holdings, com capital de fundos de investimentos, é tendência que veio para ficar. Por aqui, e pelos corredores da SP Fashion Week, só se falava na venda da Herchcovitch, da Fause Haten e da Zoomp para a novíssima holding I¿M (Identidade Moda, controlado pelo Fundo HLDC). De olho na profissionalização do setor e na globalização, Nelson Alvaregan se uniu ao grupo In Brands, para quem vendeu a Ellus e a 2nd Floor. Isabella Capetto também vendeu sua marca para a In Brands. Como costuma ocorrer, a estilista continua à frente da criação e o grupo, cuida da administração. "A estratégia não é adquirir 100% das marcas, mas formar parcerias para que cada uma mantenha seu estilo", explicou Alvarenga, conselheiro da Ellus e da In Brands.
Ás vésperas da SPFW 2008/09, a I¿M (que em inglês também significa `eu sou¿) é ironicamente chamada de I was (eu era). Herchcovith briga na Justiça com o grupo para adquirir os direitos sobre suas marcas negociadas na venda (Herchcovitch Jeans e Herchcovitch; Alexandre, masculino e feminino). A Zoomp (da qual Herchcovitch também passaria a ser diretor de criação) , uma das mais tradicionais grifes brasileiras criada por Renato Kherlakian, anunciou na semana passada que pela primeira vez não desfila sua coleção na SPFW. Vai sanar dívidas antes de voltar a produzir um desfile na SPFW. Para completar, circula pelos corredores fashion o boato de que a Fause Haten não está conseguindo dar conta de suas encomendas.
Fashionistas e não-fashionistas se perguntam o que de fato aconteceu com o a holding que era presidida pelo economista Vicente Melo (que trabalhou no Banco Mundial e ingressou na moda como vice-presidente da Fórum). O grupo surgiu com alarde e prometia gerir não só as já citadas mas também a Clube Chocolate, a Zapping e a Cúmplice. Entre os objetivos, estavam a abertura de uma loja Herchcovitch em Nova York (já há uma em Tóquio), a abertura de novas lojas da Zoomp e a aquisição de mais grifes. "Estou feliz. Vou realizar o sonho de internacionalizar minha marca e poder, ao mesmo tempo, me dedicar mais à criação", dizia Alexandre Hercovitch nos bastidores de seus desfiles em janeiro. Hoje, a I¿M não possui porta-voz oficial. Muitos afirmam que o grupo I¿M agiu de má fé. Outros dizem que Melo está fora do País e que Enzo Monzani, um dos investidores da I¿M, não possuía nem mesmo residência fixa no Brasil. Depois da crise, que levou Herchcovitch (um dos mais jovens e bem sucedidos estilistas brasileiros) a quase não conseguir entregar suas encomendas aos clientes, o silêncio impera. Sabe-se que o estilista está em negociação com o In Brands e que diz aos amigos estilistas que aprendeu uma lição. Entre boatos e especulações, fato mesmo é `O caso I¿M¿ prova que a moda brasileira caminha, mas tropeça. Mas a resistência das marcas, o fato de Fause Haten manter seu desfile nesta edição da SPFW provam também que a moda nacional tropeça, mas segue em frente. Casos como este funcionam muito mais para marcar a perda da inocência da moda nacional. "Você tem razão. Houve ingenuidade nossa para perceber como era a formação do grupo. Mas tudo é aprendizado. Foi um belo plano de divulgação. A idéia foi comprada por todos. Mais porque há uma vontade de ver, e de fazer, com que nosso mercado dê certo", responde Amir Slama, presidente da Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e criador da Rosa Chá, quando questionado se a rápida ascensão e queda da I¿M não tenha sido um belo `case¿ da de estratégia de marketing. "Não acho que tenham agido de má fé, mas queriam construir uma marca forte em pouco tempo para depois conseguir levantar a verba necessária com os investidores. E isso não ocorreu", diz Slama, que há dois anos vendeu sua marca, a Rosa Chá, para o grupo Marisol. "Foi a melhor coisa que fiz. Pude crescer, tratar melhor meus funcionários, cuidar mais da logística, da distribuição e me dedicar mais à criação. Este é um momento em que a moda nacional se profissionaliza e precisa de injeção e investimentos em setores mais técnicos", completa o estilista que desfila a Rosa Chá masculina no sábado.
Como presidente da Abest, Slama afirma que o órgão ficará mais atento. "A nossa moda vai bem sim, mas vamos prestar mais atenção e dar mais assessoria aos estilistas. " Paulo Borges, criador e diretor da SPFW, concorda: "Apesar do caso da I¿M, os negócios estão caminhando. Há hoje sete grupos de moda que estão fazendo aquisições. Negócios que dão errado acontecem o tempo todo. A tendência é só lembrar dos sucessos. Estamos aprendendo a fazer. É um processo irreversível e muito positivo. Vai mudar o perfil do negócio de moda no Brasil."
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