
26/12/06 às 16:06
Setor de construção foi destaque entre as novatas na Bolsa
Por Téo Takar
São Paulo, 26 (AE) - Em um ano recheado de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), com opções para se aplicar recursos em setores como construção, comércio, saúde e logística, o que realmente importa para o investidor é saber se sua aposta foi ou não bem-sucedida. Ao todo foram 26 estréias da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2006, que levantaram R$ 14,7 bilhões em captações que variaram de pouco mais de R$ 150 milhões a até R$ 1,2 bilhão. Destas, 17 ações tiveram performance superior ao Ibovespa no mesmo período, entre o início de negociação de cada papel e o fechamento da última sexta-feira, dia 22.
A campeã de valorização foi a incorporadora Gafisa (63,24%), seguida da empresa de TV a cabo Vivax (57,14%), de outra incorporadora, a Company (53,44%). Não foi à toa que muitos analistas classificaram 2006 como o ano da construção civil. O setor contou com uma série de incentivos, como isenção de impostos para alguns materiais e redução de taxas para o crédito imobiliário, e ainda se beneficiou do crescimento da economia. Com isso, os papéis tiveram boa performance. As empresas de construção acabaram concentrando a maior parte dos lançamentos na Bovespa: ao todo, foram sete estréias, elevando para nove o número listadas na bolsa.
"Trata-se de um setor fundamental para a economia do Brasil, capaz de gerar muitos empregos. Um setor que pode realizar o sonho de todo brasileiro: ter sua casa própria", disse o superintendente da Bovespa, Gilberto Mifano, durante a cerimônia de início de negociação da Lopes, no último dia 18. Em apenas uma semana, a ação da intermediadora de imóveis subiu 25%.
Outro setor que voltou a se destacar este ano foi o de Saúde. Os investidores começaram a prestar atenção nesta área no ano passado, com o ingresso da Dasa. Em 2006, o segmento foi encorpado pela Medial (10,70%), Profarma (33,33%) e Odontoprev (17,07%). "O setor de saúde se consolidou esse ano, mostrando-se muito interessante em bolsa, com muita procura por investidores estrangeiros", afirmou o superintendente de renda variável do Banco Safra, Valmir Celestino.
A Vivax mal chegou à bolsa e já está de saída. Os papéis ficaram entre as maiores altas entre as estreantes do ano, mas a disparada foi provocada pela oferta de compra da empresa pela concorrente NET, em 12 de outubro. A operação será realizada em duas etapas. A primeira já foi concluída: a Net comprou uma fatia minoritária da Vivax, de 36,7% do capital. Depois, a maior operadora de TV por assinatura do País pretende adquirir o controle da concorrente, em poder de Fernando Norbert. Mas, para isso, precisa de autorização prévia da Anatel. Se levar o controle, a Net fará uma oferta pelos papéis da empresa em circulação no mercado e, com isso, fechará o capital.
A novata que apresentou pior desempenho em 2006 foi a CSU Cardsystem. A empresa presta serviços de administração de cartões de crédito para terceiros, análise de crédito e telemarketing. As ações ON recuaram 39,11% desde a estréia, em 2 de maio. No mesmo período, o Ibovespa subiu 7,41%.
O lançamento da companhia ocorreu dias antes da Bovespa dar uma guinada para baixo, após uma longa seqüência de altas e recordes de pontos, o que ajudou a pressionar os papéis a partir de meados de maio. A bolsa paulista se recuperou no final deste ano, porém o movimento não foi acompanhado pelas ações da CSU. Somente em dezembro, o ativo perdeu 7,5%.
O baixo crescimento do faturamento e provisões no balanço do terceiro trimestre desagradaram aos investidores. Em nove meses, a receita bruta aumentou 12%, muito aquém da sua média histórica. A fraca performance, segundo explicações da própria CSU, deve-se ao atraso na implementação do Projeto Caixa - que consiste na migração da base de cartões dos clientes do banco -, o que deve ocorrer até fevereiro. Além disso, a empresa promoveu uma reestruturação nas unidades Telesystem e Credit&Risk.
Na avaliação de Valmir Celestino, do Safra, o mau desempenho da CSU está relacionado a um erro de precificação do papel em seu lançamento. "A CSU é uma companhia que não tem similar no mercado. Empresas assim são difíceis de calcular o preço justo", afirma, lembrando que o problema de precificação pode afetar o papel para o bem ou para o mal.
"Com a Natura e a Lopes aconteceu algo semelhante. Mas no caso dessas duas, as ações foram vendidas muito abaixo do que seria justo", explicou, lembrando que os papéis da Natura dispararam 100% nos quatro primeiros meses após a estréia, em junho de 2004. Lopes, por sua vez, andou quase 30%, em apenas cinco pregões, na semana passada.
A Brasil Ecodiesel também não conseguiu remunerar os acionistas que aderiram à oferta até agora. Ao contrário, o papel perdeu 5,42% desde o início das negociações, em 22 de novembro. O problema da produtora de biocombustíveis foi muito além da precificação. A empresa teve uma estréia tumultuada, cercada de rumores a respeito da existência de um sócio oculto no controle da companhia. Esta pessoa seria o empresário gaúcho Daniel Birmann, inabilitado pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM) para exercer funções em companhias abertas. Por conta das notícias, a operação foi suspensa pela CVM e os investidores que já tinham feito reservas puderam desistir de comprar os papéis antes que a oferta fosse efetivada. "Foi um caso de governança às avessas", conclui Celestino.
As incertezas societárias derrubaram os planos iniciais da empresa para o IPO. Ela esperava captar R$ 700 milhões para fazer frente aos projetos de expansão da capacidade produtiva, mas a oferta resultou em uma captação líquida de R$ 356,19 milhões, muito abaixo do previsto. Isso porque o preço da ação da oferta primária foi fixado em R$ 12,00, ou seja, 29,5% abaixo do piso inicialmente sugerido pela companhia - o intervalo variava de R$ 17,00 a R$ 22,00. Mesmo com o preço de colocação mais baixo, o papel continuou recuando nos últimos dias.
Agência Estado
São Paulo, 26 (AE) - Em um ano recheado de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), com opções para se aplicar recursos em setores como construção, comércio, saúde e logística, o que realmente importa para o investidor é saber se sua aposta foi ou não bem-sucedida. Ao todo foram 26 estréias da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2006, que levantaram R$ 14,7 bilhões em captações que variaram de pouco mais de R$ 150 milhões a até R$ 1,2 bilhão. Destas, 17 ações tiveram performance superior ao Ibovespa no mesmo período, entre o início de negociação de cada papel e o fechamento da última sexta-feira, dia 22.
A campeã de valorização foi a incorporadora Gafisa (63,24%), seguida da empresa de TV a cabo Vivax (57,14%), de outra incorporadora, a Company (53,44%). Não foi à toa que muitos analistas classificaram 2006 como o ano da construção civil. O setor contou com uma série de incentivos, como isenção de impostos para alguns materiais e redução de taxas para o crédito imobiliário, e ainda se beneficiou do crescimento da economia. Com isso, os papéis tiveram boa performance. As empresas de construção acabaram concentrando a maior parte dos lançamentos na Bovespa: ao todo, foram sete estréias, elevando para nove o número listadas na bolsa.
"Trata-se de um setor fundamental para a economia do Brasil, capaz de gerar muitos empregos. Um setor que pode realizar o sonho de todo brasileiro: ter sua casa própria", disse o superintendente da Bovespa, Gilberto Mifano, durante a cerimônia de início de negociação da Lopes, no último dia 18. Em apenas uma semana, a ação da intermediadora de imóveis subiu 25%.
Outro setor que voltou a se destacar este ano foi o de Saúde. Os investidores começaram a prestar atenção nesta área no ano passado, com o ingresso da Dasa. Em 2006, o segmento foi encorpado pela Medial (10,70%), Profarma (33,33%) e Odontoprev (17,07%). "O setor de saúde se consolidou esse ano, mostrando-se muito interessante em bolsa, com muita procura por investidores estrangeiros", afirmou o superintendente de renda variável do Banco Safra, Valmir Celestino.
A Vivax mal chegou à bolsa e já está de saída. Os papéis ficaram entre as maiores altas entre as estreantes do ano, mas a disparada foi provocada pela oferta de compra da empresa pela concorrente NET, em 12 de outubro. A operação será realizada em duas etapas. A primeira já foi concluída: a Net comprou uma fatia minoritária da Vivax, de 36,7% do capital. Depois, a maior operadora de TV por assinatura do País pretende adquirir o controle da concorrente, em poder de Fernando Norbert. Mas, para isso, precisa de autorização prévia da Anatel. Se levar o controle, a Net fará uma oferta pelos papéis da empresa em circulação no mercado e, com isso, fechará o capital.
A novata que apresentou pior desempenho em 2006 foi a CSU Cardsystem. A empresa presta serviços de administração de cartões de crédito para terceiros, análise de crédito e telemarketing. As ações ON recuaram 39,11% desde a estréia, em 2 de maio. No mesmo período, o Ibovespa subiu 7,41%.
O lançamento da companhia ocorreu dias antes da Bovespa dar uma guinada para baixo, após uma longa seqüência de altas e recordes de pontos, o que ajudou a pressionar os papéis a partir de meados de maio. A bolsa paulista se recuperou no final deste ano, porém o movimento não foi acompanhado pelas ações da CSU. Somente em dezembro, o ativo perdeu 7,5%.
O baixo crescimento do faturamento e provisões no balanço do terceiro trimestre desagradaram aos investidores. Em nove meses, a receita bruta aumentou 12%, muito aquém da sua média histórica. A fraca performance, segundo explicações da própria CSU, deve-se ao atraso na implementação do Projeto Caixa - que consiste na migração da base de cartões dos clientes do banco -, o que deve ocorrer até fevereiro. Além disso, a empresa promoveu uma reestruturação nas unidades Telesystem e Credit&Risk.
Na avaliação de Valmir Celestino, do Safra, o mau desempenho da CSU está relacionado a um erro de precificação do papel em seu lançamento. "A CSU é uma companhia que não tem similar no mercado. Empresas assim são difíceis de calcular o preço justo", afirma, lembrando que o problema de precificação pode afetar o papel para o bem ou para o mal.
"Com a Natura e a Lopes aconteceu algo semelhante. Mas no caso dessas duas, as ações foram vendidas muito abaixo do que seria justo", explicou, lembrando que os papéis da Natura dispararam 100% nos quatro primeiros meses após a estréia, em junho de 2004. Lopes, por sua vez, andou quase 30%, em apenas cinco pregões, na semana passada.
A Brasil Ecodiesel também não conseguiu remunerar os acionistas que aderiram à oferta até agora. Ao contrário, o papel perdeu 5,42% desde o início das negociações, em 22 de novembro. O problema da produtora de biocombustíveis foi muito além da precificação. A empresa teve uma estréia tumultuada, cercada de rumores a respeito da existência de um sócio oculto no controle da companhia. Esta pessoa seria o empresário gaúcho Daniel Birmann, inabilitado pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM) para exercer funções em companhias abertas. Por conta das notícias, a operação foi suspensa pela CVM e os investidores que já tinham feito reservas puderam desistir de comprar os papéis antes que a oferta fosse efetivada. "Foi um caso de governança às avessas", conclui Celestino.
As incertezas societárias derrubaram os planos iniciais da empresa para o IPO. Ela esperava captar R$ 700 milhões para fazer frente aos projetos de expansão da capacidade produtiva, mas a oferta resultou em uma captação líquida de R$ 356,19 milhões, muito abaixo do previsto. Isso porque o preço da ação da oferta primária foi fixado em R$ 12,00, ou seja, 29,5% abaixo do piso inicialmente sugerido pela companhia - o intervalo variava de R$ 17,00 a R$ 22,00. Mesmo com o preço de colocação mais baixo, o papel continuou recuando nos últimos dias.
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