
14/05/07 às 15:23
Exposição traz lendas do rock fotografadas por Bob Gruen
Por Adriana Del Ré
São Paulo, 14 (AE) - O homem que acompanhou figuras lendárias do rock nos últimos 40 anos e foi considerado o retratista oficial da família Lennon está entre nós. O fotógrafo nova-iorquino Bob Gruen, de 61 anos, chegou ao Brasil para a abertura da exposição "Rockers" e o lançamento do livro homônimo (Editora Cosac Naify, 220 págs., R$ 69), amanhã (15), só para convidados, no MAB-Faap. Para o público, a mostra tem início quarta-feira.
No livro, Gruen reúne cerca de 270 fotos clássicas de seu portfólio. E entre uma imagem e outra, dá o testemunho de suas experiências em textos curtos. Que fã de rock não daria o dedo mindinho para algum tempo ao lado de nomes como Sex Pistols, The Clash, Rolling Stones, Blondie, Alice Cooper, Elvis, Patti Smith, Green Day' Pois o fotógrafo não só conviveu com eles, registrando shows, bastidores e fazendo capas para discos, como se tornou amigo de boa parte dessa turma.
São as mesmas imagens que, na exposição, estarão dispostas em seções para enfatizar os variados ângulos de seu legado fotográfico dentro do universo do rock-n¿-roll. "Trabalhamos juntos para pensar em como montar a exposição. Bob tem um material muito forte de punk; de John Lennon; os portraits; imagens novas", diz o curador Supla, amigo do fotógrafo que entrou no rol de artistas clicados por ele.
O cantor brasileiro conheceu-o em 1995, quando morava em Nova York e foi assistir à gravação em estúdio da banda D-Generation. Lá estavam Gruen e sua mulher. O casal e Supla começaram a conversar e o cantor os convidou para assistir a um de seus shows. Eles apareceram e, em retribuição, convidaram Supla para passar o Natal na residência deles. "Ficamos amigos, mantemos contato até hoje e fiz a música "Viva Liberty" logo depois que conheci a casa deles. Fiquei tocado quando vi lá a foto de John Lennon com a estátua da Liberdade atrás dele."
É uma dessas fotos clássicas de Gruen que não poderiam faltar na exposição em sua homenagem no Brasil. Exposição que, por sinal, foi sugerida pelo próprio Supla à Faap, no ano passado, quando o fotógrafo lançou o livro "John Lennon The New York Years". Sugestão acatada e ampliada.
Ainda em meio ao material produzido por Gruen durante uma década, como o fotógrafo oficial do clã Lennon, o Supla curador tem predileção por outra imagem, na qual o músico britânico, totalmente integrado ao ambiente nova-iorquino, veste a camiseta New York City, emprestada do amigo fotógrafo. "Conheci John Lennon durante uma entrevista com a Elephant¿s Memory. John e Yoko Ono estavam gravando com a banda. Era a única foto que tinham com todos juntos: Elephant¿s, John, Yoko e a Plastic Ono Band", conta Bob Gruen.
Ele fez para Lennon a capa do álbum "Sometimes in New York City". Lennon gostou tanto que a parceria se manteve nos trabalhos seguintes do músico, assim como no dia-a-dia dele e de sua família. Estabeleceu-se uma relação de confiança entre eles, lembra o fotógrafo, porque todas as imagens que seriam publicadas ou divulgadas de Lennon e Yoko passavam pelo crivo do casal. "Percebemos que tínhamos coisas em comum, mesmo senso de humor. Sou amigo de Yoko até hoje", diz.
Outras figuras fizeram parte de seu círculo de convivência, como Debbie Harry, do Blondie, David Johansen, Iggy Pop... Ike e Tina Turner foram as primeiras celebridades que conheceu. E se Ike foi o diabo na vida de Tina, tornou-se uma bênção na carreira de Gruen, pois viu o trabalho do então jovem fotógrafo, no início dos anos 70, e o chamou a acompanhá-los fotografando sua turnê. Já com Rolling Stones, o fotógrafo não esconde sua condição de fã: foi o primeiro grupo que ele viu tocar num teatro, em 1964.
Amável, Gruen garante que nunca encontrou nenhum tipo de problema acompanhando essa trupe de roqueiros e punks. E o que falar de Sid Vicious e sua namorada Nancy Spungen' "Eu era um bom amigo de Sid. Quando o Sex Pistols foi para Nova York, eu fiquei com eles dentro do ônibus." Vira e mexe, Nancy lhe pedia para fazer fotos deles, mas Gruen conta que o casal estava sempre tão chapado que ele deixava para lá. "Eu dizia: `Por favor, vão para casa dormir, que depois eu faço as fotos.¿"
Nessas andanças com o Sex Pistols, ele conseguiu outra de suas famosas imagens - Sid Vicious devorando um cachorro-quente -, outra das preferidas de Supla e tida como destaque no projeto "Rockers", ao lado daquela de Lennon com sua camiseta New York City. Foi nos bastidores do tour da banda, em 1978. "Depois do show, eles estavam comendo cachorro-quente e falei que queria fazer uma foto. Sid pediu para eu esperar, porque ele queria botar mais mostarda e ketchup e, então, esfregou o pão na cara."
Mas diga lá: como é possível lidar com os mais variados egos, vaidades e humores, durante tanto tempo, e não macular a boa amizade com nenhum deles' "Tenho uma personalidade fácil e agradável, continuo bem com todo mundo", revela seu pequeno segredo de fotógrafo. Diante de trajetória tão respeitosa, Gruen bem que poderia ter o ego mais inflado do que tantos artistas que eternizou, mas parece ter preservado o mesmo Bob dos primórdios.
O mesmo que recebeu aulas de fotografia da mãe quando ainda era jovem e, aos 18 anos, dividia o teto com músicos de uma banda de rock chamada Glitterhouse. Na época, em começo de carreira, fez fotos para o álbum da banda, a gravadora gostou do resultado e o resto é a história contada no livro e na mostra "Rockers". "Tenho 61 anos, mas sou jovem no coração." E, por acaso, o rock teria sua parcela de responsabilidade nisso' Gruen não titubeia: "Com certeza."
Agência Estado
São Paulo, 14 (AE) - O homem que acompanhou figuras lendárias do rock nos últimos 40 anos e foi considerado o retratista oficial da família Lennon está entre nós. O fotógrafo nova-iorquino Bob Gruen, de 61 anos, chegou ao Brasil para a abertura da exposição "Rockers" e o lançamento do livro homônimo (Editora Cosac Naify, 220 págs., R$ 69), amanhã (15), só para convidados, no MAB-Faap. Para o público, a mostra tem início quarta-feira.
No livro, Gruen reúne cerca de 270 fotos clássicas de seu portfólio. E entre uma imagem e outra, dá o testemunho de suas experiências em textos curtos. Que fã de rock não daria o dedo mindinho para algum tempo ao lado de nomes como Sex Pistols, The Clash, Rolling Stones, Blondie, Alice Cooper, Elvis, Patti Smith, Green Day' Pois o fotógrafo não só conviveu com eles, registrando shows, bastidores e fazendo capas para discos, como se tornou amigo de boa parte dessa turma.
São as mesmas imagens que, na exposição, estarão dispostas em seções para enfatizar os variados ângulos de seu legado fotográfico dentro do universo do rock-n¿-roll. "Trabalhamos juntos para pensar em como montar a exposição. Bob tem um material muito forte de punk; de John Lennon; os portraits; imagens novas", diz o curador Supla, amigo do fotógrafo que entrou no rol de artistas clicados por ele.
O cantor brasileiro conheceu-o em 1995, quando morava em Nova York e foi assistir à gravação em estúdio da banda D-Generation. Lá estavam Gruen e sua mulher. O casal e Supla começaram a conversar e o cantor os convidou para assistir a um de seus shows. Eles apareceram e, em retribuição, convidaram Supla para passar o Natal na residência deles. "Ficamos amigos, mantemos contato até hoje e fiz a música "Viva Liberty" logo depois que conheci a casa deles. Fiquei tocado quando vi lá a foto de John Lennon com a estátua da Liberdade atrás dele."
É uma dessas fotos clássicas de Gruen que não poderiam faltar na exposição em sua homenagem no Brasil. Exposição que, por sinal, foi sugerida pelo próprio Supla à Faap, no ano passado, quando o fotógrafo lançou o livro "John Lennon The New York Years". Sugestão acatada e ampliada.
Ainda em meio ao material produzido por Gruen durante uma década, como o fotógrafo oficial do clã Lennon, o Supla curador tem predileção por outra imagem, na qual o músico britânico, totalmente integrado ao ambiente nova-iorquino, veste a camiseta New York City, emprestada do amigo fotógrafo. "Conheci John Lennon durante uma entrevista com a Elephant¿s Memory. John e Yoko Ono estavam gravando com a banda. Era a única foto que tinham com todos juntos: Elephant¿s, John, Yoko e a Plastic Ono Band", conta Bob Gruen.
Ele fez para Lennon a capa do álbum "Sometimes in New York City". Lennon gostou tanto que a parceria se manteve nos trabalhos seguintes do músico, assim como no dia-a-dia dele e de sua família. Estabeleceu-se uma relação de confiança entre eles, lembra o fotógrafo, porque todas as imagens que seriam publicadas ou divulgadas de Lennon e Yoko passavam pelo crivo do casal. "Percebemos que tínhamos coisas em comum, mesmo senso de humor. Sou amigo de Yoko até hoje", diz.
Outras figuras fizeram parte de seu círculo de convivência, como Debbie Harry, do Blondie, David Johansen, Iggy Pop... Ike e Tina Turner foram as primeiras celebridades que conheceu. E se Ike foi o diabo na vida de Tina, tornou-se uma bênção na carreira de Gruen, pois viu o trabalho do então jovem fotógrafo, no início dos anos 70, e o chamou a acompanhá-los fotografando sua turnê. Já com Rolling Stones, o fotógrafo não esconde sua condição de fã: foi o primeiro grupo que ele viu tocar num teatro, em 1964.
Amável, Gruen garante que nunca encontrou nenhum tipo de problema acompanhando essa trupe de roqueiros e punks. E o que falar de Sid Vicious e sua namorada Nancy Spungen' "Eu era um bom amigo de Sid. Quando o Sex Pistols foi para Nova York, eu fiquei com eles dentro do ônibus." Vira e mexe, Nancy lhe pedia para fazer fotos deles, mas Gruen conta que o casal estava sempre tão chapado que ele deixava para lá. "Eu dizia: `Por favor, vão para casa dormir, que depois eu faço as fotos.¿"
Nessas andanças com o Sex Pistols, ele conseguiu outra de suas famosas imagens - Sid Vicious devorando um cachorro-quente -, outra das preferidas de Supla e tida como destaque no projeto "Rockers", ao lado daquela de Lennon com sua camiseta New York City. Foi nos bastidores do tour da banda, em 1978. "Depois do show, eles estavam comendo cachorro-quente e falei que queria fazer uma foto. Sid pediu para eu esperar, porque ele queria botar mais mostarda e ketchup e, então, esfregou o pão na cara."
Mas diga lá: como é possível lidar com os mais variados egos, vaidades e humores, durante tanto tempo, e não macular a boa amizade com nenhum deles' "Tenho uma personalidade fácil e agradável, continuo bem com todo mundo", revela seu pequeno segredo de fotógrafo. Diante de trajetória tão respeitosa, Gruen bem que poderia ter o ego mais inflado do que tantos artistas que eternizou, mas parece ter preservado o mesmo Bob dos primórdios.
O mesmo que recebeu aulas de fotografia da mãe quando ainda era jovem e, aos 18 anos, dividia o teto com músicos de uma banda de rock chamada Glitterhouse. Na época, em começo de carreira, fez fotos para o álbum da banda, a gravadora gostou do resultado e o resto é a história contada no livro e na mostra "Rockers". "Tenho 61 anos, mas sou jovem no coração." E, por acaso, o rock teria sua parcela de responsabilidade nisso' Gruen não titubeia: "Com certeza."
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